CAPÍTULO 9
UMA QUINTA-FEIRA COMO AS OUTRAS
1995
Nunca esquecerei o dia em que os taliban vieram para Cabul.
Era uma quinta-feira de Setembro. Não tinha ido à universidade naquele dia e estava em casa a estudar. A minha irmã precisava de comprar pão e eu precisava de uns sapatos, por isso à tarde fomos ao bazar.
A minha irmã Shahjan e eu fomos juntas ao mercado. Eu tinha vestido uma das minhas túnicas e lenços preferidos, ambos garridos. A minha irmã contou-me uma anedota e eu ri-me. O homem da loja sorriu-nos e disse: «As meninas não vão poder vir para aqui assim vestidas amanhã. Os taliban chegam amanhã e este é o último dia em que podem divertir-se no mercado, por isso tratem de o aproveitar.»
Ele disse isto a rir-se, com os olhos verdes a sorrir e as rugas à volta deles a vincarem-se. Pensei que ele estava a brincar mas fiquei incomodada. Olhei-o nos olhos, zangada, e disse-lhe que era um desejo que podia levar com ele para a sepultura porque nunca iria realizar-se.
Eu tinha apenas uma noção vaga de quem os taliban eram. Estudantes de religião que se tinham transformado num movimento político, mas ainda não sabíamos o que defendiam. Durante os anos em que lutámos contra os Russos, milhares de combatentes árabes, paquistaneses e chechenos vieram juntar-se aos mujahedin afegãos. Recebiam apoio económico de outros países, como os Estados Unidos da América, o Paquistão ou a Arábia Saudita, para ajudar na luta contra os Soviéticos. Cada um destes países tinha os seus interesses ocultos e as suas razões políticas para nos ajudar. Ainda que esta ajuda inicial tenha sido bem-vinda, estes combatentes mujahedin estrangeiros trouxeram com eles uma visão fundamentalista do Islão que não pertencia ao Afeganistão. Chamava-se wahhabismo. Os wahhabitas eram originários da Arábia Saudita e constituem um ramo particularmente conservador do islamismo sunita. As madaris (escolas religiosas) das regiões fronteiriças entre o Paquistão e o Afeganistão promoviam este tipo de islão junto dos jovens afegãos do sexo masculino, muitos deles pouco mais que crianças e também muitos refugiados, vulneráveis e traumatizados.
Mas naquele tempo havia muita desinformação. Algumas pessoas em Cabul pensavam que eles eram anjos, mas outras até pensavam que eram os comunistas que regressavam com novas roupagens. Mas, fossem quem fossem afinal, eu não podia nem ia acreditar que eles, ou outros, tivessem derrotado os mujahedin. Os mujahedin tinham derrubado o Exército Vermelho e todo o seu poder — como poderia um punhado de estudantes derrotar aqueles homens? A ideia de eles amanhã estarem na loja onde eu me encontrava naquele preciso momento era simplesmente ridícula.
Eu, nesta altura, não via muitas diferenças entre os mujahedin e os taliban. Enquanto criança tivera muito medo dos mujahedin. Agora, enquanto estudante universitária, tinha medo dos taliban. No meu entender não passavam todos de homens com armas. Homens que queriam lutar em vez de falar. Eu estava mais do que farta de todos eles.
Mas, naquela noite, ouvimos a notícia chocante na estação de rádio da BBC. Ficámos a noite inteira a ouvir, incrédulos com o que diziam. A BBC informou que os homens de Ahmad Shah Massoud se tinham retirado de Cabul e voltado ao seu reduto no vale do Panjshir. Eu ainda não conseguia acreditar que se tratava de uma derrota. A retirada táctica não era uma opção militar rara em Massoud. Pensei realmente que ele retomaria a luta antes do pequeno-almoço, para restabelecer a paz e apoiar o governo. A maioria das pessoas em Cabul pensava a mesma coisa.
De repente a porta abriu-se e o meu irmão Mirshakay, que era comissário-geral da polícia, entrou com uma expressão aterrorizada. Falava muito depressa e dizia que não tinha muito tempo. Pediu à mulher que lhe preparasse a mala. Estava de partida, tal como muitos altos funcionários do governo, para se reunir a Massoud, no Panjshir.
Eu tinha imensas perguntas sem resposta sobre o futuro. Comecei a discutir com ele. A mulher dele começou a chorar. Sussurrou-nos um «chiu» e disse-nos para ficarmos caladas, não fosse alguém ouvir-nos.
O Mirshakay tinha duas mulheres e ficou decidido que uma ficaria comigo no apartamento em Cabul e a outra seria levada nessa mesma noite pela família dela para o Paquistão, onde o meu irmão tinha uma casa, na cidade de Lahore.
Aconteceu tudo tão depressa que mal conseguíamos acreditar. A minha irmã atirou uma panela de água ao chão logo que ele saiu pela porta. Faz parte da nossa cultura — diz-se que se a água correr na direcção da pessoa ela voltará em breve.
Depois de o Mirshakay sair, nós, as mulheres, acotovelámo-nos à volta do rádio. Os últimos relatos comunicavam que o presidente Rabbani e os seus ministros também tinham fugido. Tinham ido de avião para o Panjshir e de lá para a província natal de Rabbani, o Badakhshan.
Depois comunicaram que o ex-presidente Najibullah, o homem que fora considerado um fantoche de Moscovo e simpatizante comunista, tinha sido assassinado. Najibullah estava sob a protecção das Nações Unidas. Mas, quando o governo mujahedin ruiu, Ahmad Shah Massoud fora ao seu encontro, oferecendo-se para o levar com ele para o vale do Panjshir. Contudo, Najibullah confiava tanto nos mujahedin como nos taliban, e receou que se tratasse de uma armadilha para o matarem. Talvez fosse compreensível, na posição em que estava, mas não confiar em Massoud naquele momento crítico viria a revelar-se um erro fatal pois, horas depois da retirada de Massoud, Najibullah estava morto.
Às oito horas da noite havia jactos no céu. A minha família metia-se comigo, dizendo que até no meio de uma guerra eu tinha o nariz enfiado num livro. Eu não tinha apreço especial pelo governo de Rabbani, mas pelo menos era um governo. Pelo menos tínhamos algum tipo de sistema. E agora isto, funcionários como o meu irmão a abandonar os postos e a fugir. Fiquei furiosa por os nossos líderes estarem a desistir tão facilmente.
Mal dormimos durante o resto da noite. O país desintegrava-se mais uma vez à nossa volta enquanto nós ouvíamos na rádio. Às seis da manhã espreitei pela janela e vi pessoas com pequenos chapéus brancos de oração. De repente toda a gente os usava. Fechei rapidamente a cortina e voltei para os meus estudos. Ao correr o tecido queria manter este mundo novo do lado de fora, esta nova encarnação de Cabul que eu não compreendia.
E depois começaram os rumores.
Era sexta-feira, dia de oração. Começaram a surgir relatos de que eles agrediam pessoas para as obrigar a ir à mesquita. Chegados a isto, não tivemos dúvida de que não eram comunistas nem anjos da salvação; quem eram eles então?
Nunca na história do Afeganistão passámos por algo assim. Ficou claro que esta força não era familiar nem controlada por afegãos. Não podia, não a comportar-se daquela maneira.
De seguida mataram o ex-presidente Najibullah, tirando-o à força do edifício das Nações Unidas, onde estava refugiado. Se tivesse fugido com Massoud talvez ainda estivesse vivo, mas a decisão de ficar sob a protecção das Nações Unidas custou-lhe a vida. Os taliban invadiram as instalações das Nações Unidas, arrastaram-no para o exterior e executaram-no. Penduraram o corpo dele e o do irmão mais novo numa rotunda movimentada para todos verem. Durante três dias os corpos amareleceram e incharam lentamente e ficaram ali suspensos como um aviso. As pessoas passavam num silêncio assustado. Ninguém se atreveu a tirar de lá os corpos.
Depois saquearam o museu, destruindo milhares de artefactos que revelavam a história da nossa terra — estatuetas budistas antigas, jóias kundan, pratos do tempo de Alexandre, o Grande, artefactos do tempo dos primeiros reis islâmicos. Em nome de Deus estes vândalos destruíram a nossa história. O mundo apercebeu-se deste vandalismo cultural quando rebentaram com os Budas de Bamiyan. Estas estátuas de pedra antigas eram vistas como uma das maravilhas do mundo. Tinham sido erigidas durante o reinado de um dos primeiros reis islâmicos do Afeganistão, o rei Kushilla. Este homem iluminado interessara-se por outras religiões e quisera saber mais sobre elas, apesar de ser muçulmano. Acreditava na cultura e na arte, e financiou pessoalmente a construção de uma grande escola de budismo e de um mosteiro, a ser construído em Bamiyan. Os Budas gigantes não eram apenas peças importantes da história cultural afegã e sinal do nosso passado iluminado e tolerante; eram também fonte de subsistência dos hazaras que vivem em Bamiyan e dependem do turismo. Os Budas há muito que atraíam visitantes de todo o mundo, assim como de outras partes do Afeganistão. Desenvolvera-se em Bamiyan uma actividade turística robusta devido às estátuas. Numa província que noutras circunstâncias seria pobre, esse turismo representava um rendimento essencial para aquelas pessoas.
Em imagens chocantes na televisão difundidas pelo mundo inteiro, os taliban rebentaram as estátuas com lança-granadas e artilharia pesada até estes monumentos imponentes sucumbirem tragicamente em pedaços.
Depois começaram a destruir-nos a mente. Queimaram escolas e universidades. Queimaram livros e baniram a literatura.
Nesse fim-de-semana eu tinha um exame marcado na universidade para o qual estudara com muito afinco. Começara recentemente o curso de Medicina e estava a adorar. Mas disseram-me que não me desse ao trabalho de ir, uma vez que a faculdade de Medicina tinha fecha do. As mulheres já não estavam autorizadas a serem médicas, muito menos a estudar Medicina na universidade.
De um momento para o outro a vida de Cabul, as coisas que as pessoas tinham como certas, desapareceram! Até mesmo durante a guerra tínhamos possibilidade de fazer as pequenas coisas, prazenteiras — como encontrarmo-nos com amigas para um chá no bazar, ou ouvir música na rádio — e as grandes, como as festas de casamento. Mas com os taliban tudo isto deixou de ser possível de um dia para o outro. A proibição dos casamentos foi particularmente difícil para as pessoas porque os casamentos são um acontecimento muito importante. Na nossa cultura, como na maior parte das culturas do mundo, o dia do casamento é um rito de passagem, e um rito que envolve a família inteira.
Os casamentos afegãos são tradicionalmente muito grandes, com um número de convidados que vai dos quinhentos aos cinco mil.
Ter um salão de casamentos ou um hotel pode ser um negócio muito lucrativo. Os melhores podem pedir preços altos e não é incomum as famílias gastarem vinte ou trinta mil dólares para pagar a conta adiantada.
Mas, no seu primeiro fim-de-semana no poder, os taliban proibiram os casamentos em espaços públicos. Centenas de casais tiveram de cancelar o casamento. Não foi apenas a perda do dia, o dia com que todas as raparigas no mundo inteiro sonham, mas também do dinheiro, em famílias já com dificuldades devido aos problemas económicos decorrentes da guerra.
Os taliban ordenaram às pessoas que fizessem cerimónias privadas em casa, sem convidados, sem música e sem diversão. É interessante pensar em alguns dos noivos que se casaram naquele dia. Os seus aniversários de casamento serão uma espécie de comemoração de uma catástrofe, o início do domínio taliban. Não foi o casamento que esperavam, mas é algo que certamente recordarão até ao fim da vida.
Claro que muitas pessoas tentaram desafiar a proibição. Pais orgulhosos recusaram-se a deixar estas criaturas destruírem um dia tão importante para a família e tentaram prosseguir como planeado. Os donos de alguns hotéis ignoraram a nova regra e continuaram a fazer negócio como sempre. Mas os taliban andavam em carrinhas pela cidade com os seus turbantes negros. Traziam com eles armas e chicotes e, se ouviam música em alguma festa de casamento, invadiam-na. Os pretensos anjos da salvação tinham-se transformado em arautos da violência. Entravam de rompante nos salões de casamento, aos berros, e esmagavam microfones, arrancavam cassetes das câmaras de filmar e rasgavam fotografias. E agrediam as pessoas. Batiam nos noivos à frente das noivas e esmurravam avós idosos até eles caírem ao chão diante dos convidados assustados. Espancavam as pessoas até elas ficarem sem sentidos. Eu não parava de ouvir histórias destas, mas ainda não conseguia acreditar que fossem verdadeiras. Penso que estava numa fase de negação.
No dia seguinte a minha irmã foi ao mercado comprar legumes. Esta minha irmã vestia burqa por sistema, por isso usá-la não era problemático para ela. Mas voltou do mercado banhada em lágrimas. Contou que os tinha visto agredir todas as mulheres sem burqa, que usassem apenas um lenço. Eu ouvi em estado de choque. Ela descreveu a forma como bateram em mulheres que se vestiam exactamente como eu.
Soluçava ao contar-me o que aconteceu com um homem e uma mulher que empurravam uma bicicleta carregada de sacos de compras pela rua fora. A mulher nem sequer trazia calças de ganga ou saia. Envergava um shalwar kameez, tradicional na nossa cultura, e tinha o cabelo tapado com um lenço grande. O casal conversava quando os taliban se aproximaram por trás e atacaram a mulher. Três deles lançaram-se a ela, batendo-lhe com cabos eléctricos e dando-lhe pancadas na cabeça com tanta violência que ela caiu ao chão. Quando começaram a agredir o homem, este negou que ela era sua mulher. Para se salvar, incriminou a própria mulher.
Era tenebroso pensar que um afegão podia entregar a mulher tão facilmente. Na cultura afegã tradicional, os homens lutariam até à morte para proteger as suas mulheres e famílias; mas os taliban trouxeram com eles tanto medo, tanto mal, que perverteram alguns dos homens da nossa nação. Não todos, mas alguns seguramente. Homens que tinham sido bons, maridos benevolentes, e que, seja pelo medo que sentiam, seja por terem sido arrastados pela excitação de uma psicologia de multidões, começaram a acreditar nesta ideologia retorcida.
Na semana seguinte não fui a lado nenhum. Baniram a televisão. Apropriaram-se da estação de rádio estatal para fins de propaganda taliban. As apresentadoras, até aquelas mulheres velhotas e feias sem maquilhagem que os mujahedin preferiam, haviam sido erradicadas. A um apresentador famoso, que utilizou uma palavra errada ao anunciar a morte de um comandante taliban, bateram nas solas dos pés e deixaram-no dentro de um contentor durante três dias sem comida nem água. Com os nervos, trocou a palavra «trágica» pela palavra «feliz» ao descrever aquela morte. É um lapso compreensível quando se pensa que atrás dele, numa emissão em directo, estavam homens com chicotes. Quem não estaria nervoso?
Eu nem sequer conseguia ouvir a propaganda a que eles chamavam «notícias». Queria notícias a sério. Queria sentir-me ligada ao mundo exterior. Não ter acesso a elas fazia-me sentir presa. Os rumores, transmitidos de vizinho a vizinho, eram inevitáveis, porém, e cada história mais terrível do que a anterior.
Os confrontos fora de Cabul continuavam. A planície de Shomali, a área entre o bastião de Massoud no Panjshir e a cidade, tornou-se na nova frente de batalha. A maior parte das pessoas ainda esperava que as tropas de Massoud regressassem. Não conseguíamos acreditar que esta realidade taliban iria ser permanente. O único sítio onde podia encontrar-me com outras raparigas para falar era a varanda comum do prédio, quando limpava a casa. Da varanda conseguia ver as raparigas dos outros apartamentos. Raparigas jovens e belas a quem eram negados os seus direitos mais básicos e que não podiam respirar o ar fresco nem sentir o sol. Bastava estas raparigas ouvirem o som de vozes taliban para fugirem o mais depressa que conseguiam para dentro de casa.
Precisava de me ligar à minha mãe. Sentia umas saudades desmesuradas dela, mas estava grata por ela não ter de testemunhar a última aberração que reinava no seu país.
Queria visitar a campa dela mas ainda não conseguia resignar-me a vestir a burqa. Nem sequer tinha uma. Então pedi emprestado à minha irmã um hijab negro ao estilo árabe. Era como uma capa grande que também tapava completamente o rosto, por isso pensei que, usando-o, estaria em segurança. As ruas estavam desertas; o medo tornava o ar tão denso que quase se podia cortar à faca.
Poucos eram os homens que se atreviam a sair, e mulheres ainda menos. Aquelas que saíam envergavam burqas azuis, o novo uniforme das mulheres afegãs. Andavam apressadas e silenciosas, fazendo as compras o mais depressa possível, para voltarem à segurança do lar. Ninguém falava com ninguém. Os lojistas entregavam sacos sem dizer palavra, as mulheres pegavam-lhes sem erguer os olhos, sem estabelecer contacto visual se quer. De vez em quando passava uma carrinha taliban, com homens de olhos desdenhosos e ameaçadores que procuravam novas vítimas para espancar e com altifalantes de onde jorravam ensinamentos religiosos. Eu pensava que nesta altura já conhecia o medo em todas as suas formas e feitios, mas também este conseguia ser novidade. Frio, pegajoso e tingido de uma fúria glacial. Depois daquilo fiquei quase dois meses sem sair de casa.
Não sabíamos nada do meu irmão Mirshakay desde que os primeiros taliban assumiram o controlo. Como ele, muitos mujahedin e antigos funcionários do governo fugiram, levando com eles as suas famílias. A planície de Shomali e o vale do Panjshir — a província a nordeste de Cabul — eram palco de combates ferozes, ainda sob o controlo de Ahmad Shah Massoud. Mas os seus homens não eram os únicos a debandar. Outros — comunistas, professores da universidade, médicos, também fugiam. Pegavam naquilo que podiam — algumas roupas, jóias, mantimentos —, carregavam o carro e saíam da cidade. As pessoas deixavam para trás tudo aquilo por que tinham trabalhado. Pessoas que apenas semanas antes se congratulavam pela sua boa sorte, por as suas casas terem resistido intactas à guerra civil, agora trancavam os portões dessas mesmas casas ao sair, e afastavam-se sem olhar para trás.
Mas nem todos chegaram ao destino em segurança. Ouvíamos histórias de carros a serem atacados e saqueados. As poucas posses que as pessoas tinham eram-lhes levadas — colares de ouro tirados de pescoços de mulheres, brincos arrancados dos lóbulos. Os saqueadores eram criminosos que se aproveitavam do caos. E, à medida que as pessoas se aproximavam dos limites da cidade, em direcção à frente de combate — no outro lado haveria alguma segurança —, muitas eram mortas, com os carros atingidos por rockets ou balas perdidas.